Metrópole. Concreto quente. Pedaços do céu azul, sol forte e brisa imperceptível. O movimento infinito da pressa alheia. Sentei-me, fugindo da ressonância humana. Pessoas envolta.
Desespero. Raiva. Medo. Lágrimas. Sentou-se ao meu lado. Sentia a rigidez da madeira do banco de praça. Estava sozinho, em meio à multidão.
Mais algumas horas para realizar as pequenas tarefas da “check list” pra depois ir ao melhor refugio dos solitários: cinema. Eu não consegui ficar imune ao desespero alheio. Eram lágrimas de um amor perdido. Ofereci meu ouvido através de um olhar lúcido. Ainda me sinto humana.
Quem já sofreu vez ou outra por amor, sabe como é. Cada um pode sentir diferente, mas o ser humano possui certas reações óbvias. Ele precisava mesmo de um ouvido.
Com uma voz tímida, porém grossa, falou baixo a primeira frase. Estava confuso. Olhou nos meus olhos, queria a certeza de haver um interlocutor. Encorajei-o a continuar.
Negou seu amor. Negou para ela. Para ele mesmo. Confessou abrir mão de tudo aquilo, por não sentir-se preparado. Pensei: “ora! E alguém está preparado para alguma coisa nessa vida?” Abaixei a cabeça junto com ele, e permaneci em silêncio ouvinte.