Como diz o Chico ‘tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu...’ quando o dia começa assim já deveríamos estar preparados. Nunca estamos. Fora a melancolia, velha amiga que nos visita esporadicamente, nos dias de hoje é proibido sofrer, ta fora de moda, então seguimos fazendo coisas, correndo sabe Deus pra onde.
Esse papo sobre melancolia e dias que começam estranhos é pra narrar uma história que não fosse triste seria cômica, ou melhor, é um pouco cômica porque um tanto triste.
O fato que segue ocorreu numa escola, uma escola qualquer, típica. Aliás, a idéia de fatos típicos, comportamentos típicos é importante pra essa história. As aulas foram suspensas pra que se realizasse o famigerado Conselho de Classe. Ritual no qual professores frustrados, mal pagos e sem vida social (e sexual) expurgam suas dores, culpas e mediocridades. Uma espécie de catarse coletiva. Enfim, um mal necessário, não se sabe exatamente pra quem, mas necessário.
Tudo dentro do padrão. Seria mais um Conselho típico não fosse o fato desta que vos relata resolver navegar enquanto esperava o início da ‘terapia de grupo’. Mesmo o mundo virtual e suas inúmeras possibilidades não nos livram da monotonia, boa parte das notícias e novidades do momento tem qualquer coisa de requentadas. Isto posto recorremos aos meios virtuais para ‘rever’ os amigos. É aqui que entra uma das maldições da modernidade: as redes de relacionamento.
Já adianto: começa a se consolidar em mim certo ódio por essas redes. Sabe aquele namoro firme, cheio de recadinhos carinhosos e melados? De repente descobre-se que se está namorando sozinha, já tem uma baranga qualquer deixando os mesmos recadinhos... e o que torna tudo odioso é que todo mundo já está sabendo, menos você, é claro.
Não bastando a primeira lição sobre redes de relacionamento a gente insiste, acha que agora aprendeu e que não cai mais nessa... Ingênuos todos!!!
Tratando-se de redes abertas podemos ver e ser vistos por todos. No dia em questão fui ‘visitada’ por alguém sob o pseudônimo ‘guiiii’, fato insignificante até perceber que a pessoa com quem achava que tinha um relacionamento estar se correspondendo com a tal ‘guiiii’.
Qual não é minha surpresa, pra não dizer choque, ao ver os recados deixados ao jovem mancebo em questão: ‘oi amor’!!! Oi amor? Amor? Como assim? Nunca nos chamamos de ‘amor’...
e como já cantou Maysa ‘meu mundo caiu’...
Ligo enlouquecidamente para o objeto de amor da ‘guiiii’, a essa altura já tinha certeza que se tratava de uma mulher (rsrs). Lógico, sem ser atendida. Lanço mão de outro recurso tecnológico as tais mensagens sms, direta, reta e enfurecida: ‘duas perguntas: por que não me atende e quem é guiii’.
Sem resposta, naturalmente.
Detalhe: o conselho de classe rolando solto!!! O aluno tal? Ahn? Quem? Notas? Ah...Quero justificar de antemão meu apreço pela educação, em condições normais de temperatura e pressão estaria acompanhando atentamente o desabafo de cada um de meus colegas de magistério.
Eis que algum tempo depois o jovem, aquele que não atendeu as ligações tampouco respondeu à mensagem, acessa outra rede de relacionamentos (outra daquelas que começo a nutrir senão ódio no mínimo antipatia).
Oi (ele)
Oi
(silencio)
Tudo bem (eu)Mais ou menos...
(silêncio... e quase nenhuma dúvida do que estava por vir)
O que está mais ou menos?Tudo.
(ninguém merece, o mundo caindo e a pessoa dando respostas genéricas ou evasivas)
Queria te pedir desculpas.
(já recebi uma carta assim... ‘nunca vou me desculpar pelo que estou fazendo...’, ou seja, se restava alguma dúvida estava totalmente sanada)
Pelo que? (só pra confirmar!!!)
Queria terminar.
(ódio, fúria, tristeza e mais raiva: Por que esse FDP não falou?)
E o conselho de classe rolando
Os diálogos que se seguiram alternaram-se entre cobranças, parcas explicações e uma dúvida: o que está havendo com os homens? Onde foram parar os corajosos, decididos, bem resolvidos e honestos?
Clamo aqui pelos honestos não evocando arremedos de fidelidade, todos temos direito de mudar de opinião, de gostos, mas me refiro aos honestos com culhões, como diz um novo amigo. Aqueles com hombridade de dizer PESSOALMENTE o que querem e principalmente o que não querem.
Enfim, um dia melancólico, um Conselho de Classe típico e mais um fim virtual para a coleção.
E a pergunta, é claro: oi tem alguém aí?
Se tiver, por favor, não deixe um ‘scrap’, não mande email muito menos sms...
A delicadeza agradece.
Alguém cansado... (não só das tecnologias que afastam mais que aproximam)