quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Vela Acesa




Festas de fim de ano. Família reunida. Irmãos, pais. Crianças correndo. E todo início de verão a mesma dúvida: viajar ou compartilhar a dissimulada festa da família margarina? Este ano, a coisa estava mais densa: o casamento.
Foi atrás de um presente de natal, na expectativa de amenizar a distância. Caminhava, muitas coisas lhe transportavam a infinidade de memórias ou lembranças; que construíram juntos ou que lhe aludiam ao outro. E numa mistura confusa de sensações, as lágrimas que vertiam matavam a sede indefinida do sentir, do fazer ou viver. Escapou-lhe um sorriso de saudade e de conforto. A incompatibilidade marcou a história. Sem presente e sem fôlego, voltou para casa.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

CHAMA


Tudo pegou fogo. Meu irmão me escreveu contando o fato. Conseguiu salvar umas caixas de aço que estavam no porão. Achei cartas e bilhetes de um passado que não lembrava ter vivido e, num instante a saudade sorriu, como uma bailarina quando inclina o corpo agradecendo aplausos, e partiu, sem mais.