terça-feira, 24 de maio de 2011

Outonos

  Foram anos de amizade, meses de aproximação, semanas para uma declaração e dias depois, encontraram-se os corpos, unidos por um desejo além de corpos. Como quando se sente cheiros, se veem, se tocam, se saboreiam, se escutam, tudo de uma vez só, atentos ao grande sentido que compõe o momento.

 Dia seguinte dia feliz. A cantar sozinho. A falar sozinha. Meses atropelados pelo tempo da pressa, da angústia, da distância, dos silêncios. Das esperas, dos gritos. Dos sorrisos. Da calmaria. Do silêncio.

 Mais meses. Novo outono. Mais frio. Mais sol. Mais laranja, menos nuvem. A angústia voltou acompanhada do silêncio, que escondia as dúvidas e os desejos.

 Passou um ano. Ela precisava de algo. Abraço. Resposta. Ele precisava de algo. Coragem. Pergunta. Algo assim. Fragilidades.

 A dor da certeza caiu em seu estômago como uma bala de cobre não mastigada. Melhor que a incerteza constante, chorou e abasteceu a cidade. Fez as malas e as largou, sorrindo.