quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Grãos

  A ausência de notícias já não era notada há meses, e algumas vinham pela metade, através de intrometidos. Confesso que não havia relevância em mais nada. Não pelos fatos, não por você, não por mim. Pelo nós. O nó do passado fora desatado e com isso, muitas recordações voaram. Voaram tão longe, que a “nossa data” passou despercebida, sendo relembrada então com uma atípica ligação. Nunca pude imaginar que coisas desse tipo também lhe era de valor. Até porque, na época, seu descaso era declarado. E consentido. Alguém sempre guarda a louça lavada.

  Essa ligação surpreendeu me. Não reconheci a voz, a ligação não fazia sentido e a mensagem soou falsa, mesmo sendo sincera, eu sei. Soou. A voz trêmula fez me rir. E o melhor de tudo foi reencontrar um passado que não existiu. Castelo de areia.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O Velho e o Natal

Algumas semanas sem contato. Antes disso, eram almoços semanais, coisa rápida de 50 minutos as quintas-feiras. Tempo suficiente para se acreditar que era tudo bom, e pouco tempo para questionar sobre aquilo tudo.
Fim de ano e a contaminante pressa de dizer que ama todo mundo. Marcamos um almoço na casa dele, o cardápio e execução eram minhas tarefas. Gosto de cozinhar, e uma boa oportunidade de dizer que me importava com ele, através do paladar.
Poucas ordens, decidi o cardápio em função do que tinha na dispensa. Peguei as coisas, sacola de feira e fui.
Calmaria estranha. E quem estava nervosa dessa vez, era eu. Ansiosa e com fome. A responsabilidade era minha: pôr água na panela, para a pasta, e preparar o molho quatro queijos, para agradar a todos, nada como o queijo, o elo. Ele estava silenciosamente aguardando.
Desconfiei.
A lasanha no forno estava quase pronta e eu entendi tudo.