quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Amantes

para JK




Quartos de hotéis
fora do tempo.
Pequenos aquários
Estamos nus.

Estrada vazia
horizonte de aurora.
Conversas, gargalhadas,
sonhos e piadas.

Tentativas pro futuro.
Outro tempo.
Fora do tempo,
o tempo brinca
de ser o que quiser.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Espelho

Encontrei com ela. Conversamos. Foi um encontro que estava marcado para o futuro e chegara antes. Detesto surpresas. Ainda mais dela, que sempre vem com alguma bomba disfarçada de chocolate. E conversamos. E choramos. E eu falei tudo, ou quase. E ela me ouviu. E falou muito, tanto que se perdeu no que dizia, ao parar para ver o urubu que circulava no céu claro. E continuou com seus sentimentos. Contraditórios, como sempre. E eu queria apenas ser feliz comigo mesma. No meu canto, que é só meu: o eu mesma em silêncio.

Mergulhamos. Densidade distraída, o fundo do mar é bem escuro. Dá vontade de ir mais e mais. A luz aparece às vezes, de relance, como quem espia um envelope grande. Ele assusta - tamanha beleza, tamanho mistério. Não é como andar descalço na grama e ser picado por infinitas formigas, é apenas ouvir a própria respiração e ter de confiar nela, em si mesma, senão, morre. Fui atrás da Nina, e voltamos à superfície. Eu sabia que eu tinha muito mais fôlego que ela. Não sei bem porque voltei, eu ficaria muito mais lá embaixo, me ouvindo bater o coração, com vida, com força. Apenas uma suportável dor nos ouvidos. Mas Nina estava cansada. Eu a acompanhei.

Deitamos ao sol. Disse que subiu porque achou que eu não aguentaria. Ela não me conhece. E sempre se intromete. No fundo, é uma egoísta, fazendo o bem para os outros, para ficar em paz consigo mesma.

E, naquele dia, percebi que eu era um pouco ela. E ela tinha medo dela, medo de mim. Por fim, contei-lhe o que sempre quis: “você fica muito mais bonita com a boca fechada”.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Foragido

Meu espírito desertou de mim. Há dois dias já.
Evadiu-se.Temo que não volte... mas ele sempre volta, por isso temo também. Com ele voltam a vertigem e a crônica falta de ar, é como estar permanentemente em uma interminável montanha russa.
Ficou só essa voz ditando palavras. Tentando tornar minimamente inteligível o oco, o vazio.
Será que é isso a que chamam paz?
Quero dormir, profundamente, como uma morte consentida e reversível.
De repente o encontro vagando nos sonhos, onde certamente nos perdemos.

O Dia da puta

Dormi com a puta. A minha namorada viajou sem me convidar. Fiquei puto. Eu não iria, mas fiquei puto. Faz três semanas já. Punheta gasta muito a imaginação. Há muito não mudava o cardápio, por isso a decisão. Escolhi uma que tinha cara de que gostava de conversar, porque no fundo, não tinha certeza se era isso mesmo que eu queria.

O nome dela era Fabíola. Corpo padrão mulher carioca zona sul. Uma delícia. Mas não falava. Estava ali esperando minhas ordens para cumprir a tarefa e seguir o trabalho.

Ela tinha um ar de garota nova, não sei a idade, mas chuto entre 19 e 23, no máximo. E de repente estava deitado beijando carinhosamente uma puta. Ela refez as considerações iniciais e, ao invés do silêncio, desta vez eu fiz as minhas: que fechasse os olhos e nada mais; poderia sorrir ou gemer. A minha vontade era simplesmente vê-la gozar, pela minha boca, pelo meu pau.

No começo ela achou esquisito, disse, mas como o pagante era eu, obedeceu, sua tarefa constante. E sorrindo de olhos fechados, permitiu-se um esboço de gemido.

Por fim, encontrei seu bilhete: “Moço, foi uma transa atípica, nem boa, nem ruim. E lembre-se que esse é meu nome de trabalho”.



obs. não consigo fazer parágrafos nesse blog. NS.