quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Vela Acesa




Festas de fim de ano. Família reunida. Irmãos, pais. Crianças correndo. E todo início de verão a mesma dúvida: viajar ou compartilhar a dissimulada festa da família margarina? Este ano, a coisa estava mais densa: o casamento.
Foi atrás de um presente de natal, na expectativa de amenizar a distância. Caminhava, muitas coisas lhe transportavam a infinidade de memórias ou lembranças; que construíram juntos ou que lhe aludiam ao outro. E numa mistura confusa de sensações, as lágrimas que vertiam matavam a sede indefinida do sentir, do fazer ou viver. Escapou-lhe um sorriso de saudade e de conforto. A incompatibilidade marcou a história. Sem presente e sem fôlego, voltou para casa.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

CHAMA


Tudo pegou fogo. Meu irmão me escreveu contando o fato. Conseguiu salvar umas caixas de aço que estavam no porão. Achei cartas e bilhetes de um passado que não lembrava ter vivido e, num instante a saudade sorriu, como uma bailarina quando inclina o corpo agradecendo aplausos, e partiu, sem mais.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Eu odeio o natal

Eu odeio natal.
Não, não tive uma infância traumática sem presentes ou presépio em casa.
Tampouco sou uma pessoa adulta sem companhia para a grande ceia.
Mas repito: EU ODEIO O NATAL!
Aliás, qualquer pessoa com o mínimo de lucidez percebe a insanidade do que se aproxima: compras frenéticas e orgias gastronômicas.
Pretendo evitar resolutamente dois lugares durante a próxima quarentena, supermercados e shopping centers.
A impressão que tenho nos dois casos é que estamos diante do Armageddon e precisamos estocar comida e coisas inúteis. Apenas os que garantirem suas reservas serão poupados da voracidade da besta.
O fato que segue, embora relativamente distante no tempo, nos dá uma idéia da perversidade da data.
A mãe de uma amiga, uma senhora com filhos e netos criados e consciente de seu papel no matriarcado da família, incumbiu-se da famosa ceia de natal. Embora todos, motivados pelo suposto espírito natalino tivessem se mostrado dispostos a ajudar acabou que a pobre enfrentou sozinha o desafio de alimentar uma família enorme.
Sem nenhum exagero a mulher passou 12, vejam bem, doze horas cozinhando. Já exausta viu-se ainda diante do peru esperando pra ser assado. Como este não coubesse no forno e apavorada com o eminente fracasso do natal esta, que até então sempre fora pacífica e comedida como as mulheres aprendem a ser, se encheu de fúria, a fúria de todas as mulheres que vieram antes dela e possivelmente das que virão depois. Tomou o primeiro objeto que encontrou e destruiu o tal fogão com tantos golpes que nem puderam ser contados.
Agora me digam: que espécie de alucinação coletiva toma conta de nós no natal?
O que nos faz enfrentarmos congestionamentos nas ruas, nas lojas, nos caixas e ao final estarmos todos exaustos, com indigestão e não raro endividados?
E tem mais: pessoas que passaram o ano se odiando se abraçam, trocam presentes e votos e um novo e bom ano!
Se eu fosse o menino Jesus correria do natal por umas três semanas consecutivas sem olhar pra trás...

Uma carta (ainda se escrevem cartas?)


Resolvi escrever por temer, ou melhor, por saber, que pronunciadas as palavras elas seriam esquecidas. Por você e por mim.
Escrevê-las é também um jeito de trazer luz ao que não parece claro. Já dizia um de meus escritores prediletos: ‘a gente exorciza os fantasmas os chamando pelo nome’. Não que o que tenha a dizer seja aterrorizante e precise ser exorcizado, precisa apenas sair do escuro.
E aí vem um problema: depois de escritas, ou pronunciadas as palavras elas não nos pertencem mais. Não temos controle sobre o modo como as pessoas se apropriarão delas. Pior que isso, sequer podemos controlar o modo como elas serão interpretadas.
Isto posto, o que fazer com tais palavras deixa de ser um problema meu. Ou dizendo de outra forma: faça o que quiser com elas.
E me desculpe se pareço um tanto rude, só decidi não me pré-ocupar com problemas que não posso resolver, principalmente porque eles não existem, ou ainda não existem.
Como você receberá tais palavras, o que vai pensar de mim e delas... são questões que fogem ao meu controle.
Ainda bem!
Confesso que agora me senti ligeiramente irresponsável. O que me dá o direito de dizer tudo que penso e quero ignorando seus efeitos colaterais? O mesmo que as pessoas têm de não lerem ou não ouvirem o que não querem. Pronto! Resolvido.
Bom, mas voltemos ao que motivou esta carta.
Não é nada grave, talvez nem seja grande. Só uma vontade de registrar: quando estou com você parece que cada corpo no universo encontrou seu lugar. Parece que eu encontrei meu lugar.
Sem medo, sem perguntas, sem dúvidas.
Mesmo que ambos custemos a acreditar que isso seja possível!!!

Tudo é só isso.


Vasculhando prateleiras em busca de algumas pérolas literárias fui instigada pelo título de um livro. ‘Tudo é só isso’. E a pontuação era essa mesma, uma afirmação. Tudo, todos os anseios, todas as expectativas e mesmo os medos são só isso. Coisa pouca. No entanto brincando com os sinais não mudamos apenas aspectos semânticos, fui instigada a atribuir outro sentido ao texto, mas não apenas a ele, ao todo físico e metafísico de que somos feitos.
Essa conversa sobre semântica e metafísica é, na verdade, apenas preâmbulo para algumas reflexões acerca do ‘pra que mesmo que isso serve?’, ou sua variação ‘o que é que to fazendo aqui’.
Ninguém questiona que é próprio de nossa economia psíquica tentarmos dar as coisas o tamanho que elas tem. Como também não se questiona o fato de que invariavelmente, e algumas vezes na vida, tomamos um camundongo por um elefante. Nessas horas repetimos como um mantra: tudo é só isso. Como que para nos redimir de exagerar na dor ou na culpa.
Mas há outras horas graves, em que o elefante que julgávamos conhecer tão bem se mostra na verdade um reles camundongo. E desgraçadamente isso também pode nos acontecer muitas vezes na vida.
Há quantas causas nos dedicamos visceralmente para ao final nos darmos conta de que não era nada daquilo, que o esforço foi em vão, ou pior, estávamos ou estamos sozinhos naquela trincheira. Isso vale pra quase tudo eu acho. No trabalho, na família, nas relações...
Nas relações então... quantos enganos!!!
Maria Rita Kehl em um de seus artigos chama atenção de forma bem humorada para nossos enganos consentidos: ‘quem nunca teve o azar de ser amado pelas razões erradas?’. Eu completaria: quem nunca teve o azar de amar pelas razões erradas?
Não amamos o outro. Amamos o que o outro provoca, suscita, estimula em nós.
E aí, um belo dia nos damos conta: tudo é só isso? E culpamos o outro por não nos entender, não nos amar, não ser mais que achávamos que era.
Eis a tragédia!!!
Talvez fosse mais honesto dizermos: eu amo a pessoa que sou quando estou com você!
Contudo, onde quero chegar é no fato de que mesmo quando nos damos conta dos enganos que cometemos e que cometem com a gente ou contra a gente temos uma dificuldade imensa em dizer CHEGA! Até nos apercebemos da mediocridade a que nos reduzimos, mas daí a romper com isso há uma grande distancia.
Racionalizamos, somos condescendentes, justificamos e sempre vamos postergando a hora de viver de verdade. Contentamos-nos com um ‘tudo é só isso.’

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Nós em Noz

Eles sempre me dizem, cada um em separado, confessando, que é o ou a responsável pela separação. Ela me diz que sua inflexibilidade precisa ser tratada o quanto antes, como se estivesse com a resposta para tudo que “não deu certo” nas histórias que viveu. Ele passou a me contar de coisas que fez ou que deixou de fazer pelos outros pelo simples fato de não querer apegar-se, para depois ter de desapegar-se quando voltava pro mar. Ele não abriria nunca mão de velejar. Ela nunca largaria seu violoncelo.
Eu me lembro de quando criança. Eles brigavam, e ela abraçava o troço. Ele ia andar até a beira da praia. Escurecia e ele voltava com biscoitos da mercearia. Não suporto mais amanteigados. Ela devora até hoje, diariamente, em porções homeopáticas.
Ela está na montanha,Ele está com o vento. E eu sobrei pra contar minhas memórias.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Outubro Azul



Depois de meses viajando, na ausência do que dizer, palavras saem da mala constantemente e misturadas entre si, confusas.
Chegar em casa é uma sensação tão prazerosa quanto achar comida na geladeira em dias de histeria.
Foram mais meses do que o previsto. Longe. Embora eu sempre tivesse a certeza de que voltaria, confesso o desespero em alguns momentos. A fluidez do anonimato as vezes castigou-me por não dominar a língua nativa. Pior que isso, é a universalidade das informações subliminares: como traduzi-las? Sofri. Cansei. Gritei. Sorri. Dancei. Comi. Experimentei.
Voltei. O frio na barriga no velho - e mutante - caminho para casa traz fios de memórias emaranhadas em felicidade pela nostalgia. E conforto pelo passado vivido. E agora, guardado.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Capítulo Final: Desenlace


"...E foi então, que a moça com um bouquet de manjericão sentou-se no velho banco do ponto de ônibus daquela estrada deserta, pela qual correra e dançara sob muitas chuvas nos meses anteriores, e esperou, pacientemente, com raiva contida ou maquiagem borrada, a condução para seu futuro. Longe do deserto, mas perto dos ventos. Sempre."

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ação

Hoje caminhei durante o pôr do sol, areia branca e fina.
Vi cores respirando cheiros, mas
eram as palavras que me gritavam.

Sons de uma potência absoluta, que
não eram ensurdecedores,mas fortes,
acalmavam me a alma.

Foi-se o sol.
Que talvez volte amanhã.
Meus passos, foram lavados, mas
tenho certeza das terras por onde andei.

Algumas esqueci, outras,
recorro sempre que feliz
e todas também passaram por mim
com Tempo ou pelo Vento.


Passar é sempre um movimento. Deslocação.
Modificação produzida pela própria substância.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Dança da areia



E o que é que a gente faz com essa saudade toda?

Deixa numa ilha. São as ilhas responsáveis pelo Tempo quando este está enfermo.
Ela encontrará com suas memórias, e farão as pazes.

Assim como as andorinhas se encontram no verão.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Moeda estrangeira ou Embarque imediato



Foi em uma quinta feira chuvosa que ele se despediu de mim como uma mala que se perde em conexões internacionais. Algo corriqueiro, mas a gente nunca espera que isso aconteça conosco.
Ninguém nunca está preparado para levar um fora de uma maneira tão bonita, tão perfeita. Você então me pergunta: “um fora bonito? Perfeito? E logo conclui: não existe!”
Estava em uma felicidade que não cabia em mim, fui aprovada para a melhor companhia de dança da cidade e estava louca para contar para ele. Combinamos uns minutos de sobremesa, era o jeito que dava em meio a rotinas de horários tão justos. Nossas sobremesas eram sempre doces, mas os dias em que comíamos as ácidas, seguidas de chocolate bem doce, me eram favoritos.
Aquela quinta que me referia não teve minutos. Foram frações mínimas do tempo, mas chamo de segundos, para que lhes façam algum sentido. Ele me abraçou. Um abraço quente, mais confortável do que nunca e eu me aninhei, como um filhote de animal qualquer com frio, em seus braços.
Eu não pude acreditar de pronto no que me dizia, mesmo tudo aquilo fazendo sentido. É como quando a realidade fica suspensa. Derrete e as pessoas ficam aromáticas. Hesitei, mas não tinha escolha, o embarque, era imediato. Parti. Olhei pra trás, tropecei logo em frente. Mas embarquei.
Sem malas, cá estou a viver de estórias.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Banho de chuva



Acordava com uma alegria que não lhe cabia,
mal sabia que um golpe previsto chegaria adiantado.
E a Tempestade, condenou-lhe: tísico.

sábado, 11 de setembro de 2010

IML

Pistola Automática. Tiro certeiro. Pelo menos morreu rapidamente, gritou João. Eu o olhei com mais atenção, expressão de serenidade. Há muito não achava alguém assim proveniente de homicídio. Há muito não dava atenção pra minha sensibilidade. Tinha um rosto desenhado, cílios grandes. Bonitão, ri sozinha. Meus colegas não entenderam nada, pra variar.
Aquele homem em órbita nos pensamentos. Meu objeto de trabalho virou personagem em instantes de um momento juvenil, queria tê-lo em vida para uma conversa ou algo assim. Férias vencidas, preciso delas. Agora. E voltava a idéia de que o tempo podia ter sido generoso comigo, podia ter me esperado. Lembrei-me de um enigmático vizinho que um dia me convencera de que o tempo está parado. Desisto em pensar nisso.Vou pra Malásia, eu mereço.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A Fraqueza da promessa

Senti-me traída. O passar de anos lavou-me os sentimentos que junto da traição nos desgastam: raiva, ódio, ciúme, incerteza, saudade, nojo.
Quantidade de tempo. Um (re)encontro descabido. Um café no intervalo entre uma conexão e outra, uma coincidência no aeroporto. Desnecessária: recordei as agonias. Xícara vazia, a melhor fuga: a justa hora de partir. E nunca mais. Tampouco ressentimentos, já inexistentes. A indiferença me é orgânica. Minha saúde é de ferro.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O homem que tinha medo

Era uma vez um homem que tinha medo.
De muitas coisas, algumas reais outras nem tanto.
Ele tinha medo de ter medo.

Tamanho era o medo que tudo foi perdendo o encanto.
Do passado ou do futuro, tanto fazia,
Repetir um no outro, se desprender de um pra outro...
O que sabia é que no presente tudo era medo.

E ficava assim, suspenso, vagando entre o medo do velho e do novo.
Tinha medo de perder.
Perder o que mesmo?
Se perder talvez?!
E perdeu tanto tempo com seu próprio medo
Que nem se deu conta do que perdia...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aquela praça

Metrópole. Concreto quente. Pedaços do céu azul, sol forte e brisa imperceptível. O movimento infinito da pressa alheia. Sentei-me, fugindo da ressonância humana. Pessoas envolta.

Desespero. Raiva. Medo. Lágrimas. Sentou-se ao meu lado. Sentia a rigidez da madeira do banco de praça. Estava sozinho, em meio à multidão.

Mais algumas horas para realizar as pequenas tarefas da “check list” pra depois ir ao melhor refugio dos solitários: cinema. Eu não consegui ficar imune ao desespero alheio. Eram lágrimas de um amor perdido. Ofereci meu ouvido através de um olhar lúcido. Ainda me sinto humana.

Quem já sofreu vez ou outra por amor, sabe como é. Cada um pode sentir diferente, mas o ser humano possui certas reações óbvias. Ele precisava mesmo de um ouvido.

Com uma voz tímida, porém grossa, falou baixo a primeira frase. Estava confuso. Olhou nos meus olhos, queria a certeza de haver um interlocutor. Encorajei-o a continuar.

Negou seu amor. Negou para ela. Para ele mesmo. Confessou abrir mão de tudo aquilo, por não sentir-se preparado. Pensei: “ora! E alguém está preparado para alguma coisa nessa vida?” Abaixei a cabeça junto com ele, e permaneci em silêncio ouvinte.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

vambora

Entao vamos.
e vamos onde?
Apenas vamos.
nossa!!!
sem planos...
sem rumo...
sem futuro.
(sem culpa?)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Juntos

Não me recordo quando foi a última vez, mas lembro da vez antes do acidente. Como sempre, uma boa surpresa. Intensidade era nosso argumento. Nos encontramos depois disso, duas ou três vezes também. As coisas mudaram um pouco, isso acontece com grandes traumas, faz parte.
E a vida nos põe a girar e girar. Caminhos distintos, o óbvio. Tínhamos pouquíssimo em comum e seguimos cada qual sem pesar, sem apegos. Mui raramente falávamos, não era preciso. Uma saudade calada por dentro. Uma saudade serena. Tudo fora devidamente vivido. Mesmo aquela sensação de futuro do pretérito a provocar era lúcida. O tempo foi-não-foi. As respostas sempre existiram. Sem perguntas.
Hoje você pegou o trem, não sei se apressado ou já era hora, não se despediu. Mas estava contente e isso é o que importa, foi consciente das mudanças. Eu cheguei atrasada, pois não sabia de nada. Ninguém sabia. Surpresas ninguém gosta, mesmo que gostem de alguma. Encontrei seu irmão. Estávamos todos que poderíamos estar. Muita gente. A sua doçura contaminou nossos corações, cativou. Chorei por uma mistura de sensações. Seu irmão veio, forte, e com uma doçura como a sua, me abraçando, sussurrou o que eu sinto sempre: o nosso gostar um pelo outro transcende. E que você sempre lembrava disso. Era certa a cumplicidade do nosso silêncio-sorriso.

Ps – Homenagem a um grande personagem real que mudou de mundo.

domingo, 11 de julho de 2010

Apague a luz quando chegar

Em dias de lucidez quase absoluta, como hoje em que lhe escrevo, consigo sorrir quando encontro suas sementes pela casa. Se fosse há dias atrás, teria queimado amassado, engolido todas elas, chorando com a força e intensidade que só a raiva proporciona.
Em dias de lucidez, como hoje em que lhe escrevo, abro a caixa com as memórias coletivas e revivo cada cor das fotografias.
Em dias de lucidez, como hoje em que lhe escrevo, penso que é bom viver, sabendo que é perigoso sim, mas que vale a pena. Sempre e tudo.
Em dias de lucidez, como hoje em que lhe escrevo, posso acreditar que os momentos e pessoas têm validade (mesmo que indeterminadas) e justamente por isso são agradáveis.
Em dias de lucidez, como hoje em que lhe escrevo, sinto a natureza mais próxima, o vento cúmplice e o sol confortante.
Em dias de lucidez, como hoje em que lhe escrevo, silenciar a mente é a tarefa mais fácil do mundo.
Em dias de lucidez, como hoje em que lhe escrevo, gosto de pensar na minha vingança: perdoar-te.
A maior vingança é o perdão.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sobre amor e mesas

Adélia Prado escreveu uma vez que a salvação opera nos abismos, eu diria mais: opera também nos detalhes!
São os detalhes, as pequenas coisas, pequenos acontecimentos que possuem o poder de nos revelar, a nós mesmos, inclusive e principalmente.
Acontecimentos aparentemente banais: sentar-se à mesa na casa do namorado, perder um tênis na casa da avó, um café numa tarde ensolarada...
Nada disso ocupa nossa lista de problemas ou de prioridades, exceto quando despertam em nós convulsões ancestrais.
Pequenezas que escondem abismos. Não do tipo em que caímos nos pesadelos, do tipo de abismos que escondem mistérios só revelados apenas aos que gritam diante dele: ‘Não tenho medo de você!’
Os sentidos sociais se constroem na relação, ou na interação, como diriam alguns sociólogos, mas o sentido simbólico se constrói nos detalhes, no susto, no lapso da consciência, na dor, sobretudo na dor.
Aí tudo ganha outras proporções e significados: perder o sapato é também se perder, não apenas não saber pra onde ou como ir, é não saber quem a gente é. Do mesmo modo, mas diferente, sentar à mesa é se achar, se encontrar, encontrar seu lugar no mundo.
Se perder ou se achar não são opostos, contrários, são jeitos particulares de gritar ao abismo:
‘NÃO TEMOS MEDO DE VOCÊ!’
(Mesmo que doa...)

ps.: nunca pensei que acharia linda uma história sobre mesas, ou melhor, nunca pensei que uma mesa pudesse ser um dos presentes mais lindos do mundo.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Tempo descalculado

Escovar os dentes com pressa, não faz espuma na boca. Acordar atrasada em dia de sol, mesmo com frio, irrita. Principalmente se você vai para o trabalho, e não caminhar – calmamente – até a padaria pra tomar um suco, de desjejum, com o pão tostado e manteiga. E a pressa, como Murphy, me persegue: a dúvida de que cor acordei hoje para vestir. Jeans denuncia minha bunda, penso alto. “É disso que a gente gosta”, grita o irmão mais velho, do corredor. Piada velha tem graça de tão velha que é, mas eu não tô com tempo pra rir. Não consegui ir na depilação essa semana, den ovo, e ainda me sinto presa a essa ditadura da mulher limpa, linda, que é a sem pêlos. Nasci com pêlos, porra! Pego aquela calça de alfaiataria, marinho, que achei na estante da liquidação daquela loja ontem, linda e num preço quase justo, quando esperava o João pro cinema. Fita crepe é a melhor amiga nessas horas: bainha improvisada mas perfeita. Correr pra pegar ônibus é a humilhação que a prefeitura faz com a gente. Bastava eles aumentarem o número de transporte dessa linha. E as pessoas estão ali, com cara de leite azedo. Contudo, acabam votando de novo no prefeito bonitinho. Nem o paquera tava no ponto. Claro, ele não se atrasa! Olha pra cima, olha pro relógio, olha pra rua, olha pra cima, olha pra rua, olha pro relógio. Guarda o relógio na bolsa, atrasada está e ponto. Respira fundo. Lembrei da piada que a Ana contou ontem. Começo a rir e alguns me olham diagnosticando insanidade. Tolos, penso eu. Humor é alimento pra alma, ou conforto pro atraso. Como se não bastasse o atraso, a multidão socada naquela lata. A vantagem da baixa estatura é permear as pessoas mal humoradas, que não se permitem um ato sequer de solidariedade ao coletivo, que ficam estáticas compondo uma suposta paisagem bucólica. Meu trunfo é que a viagem é curta. Acordar atrasada é como assoprar a centopéia de baralho, você desordena seus minutos calculados. O elevador do prédio do escritório acabou de subir. Era o diretor geral. Portanto, vai até o último andar. A escada, não dá, a moça interditou para lavar. Cedo, de manhã. Inverno, e vai lavar uma escada interna! Sem luvas de borracha. O que é pior: mandaram-na fazer, ela nunca poderia questionar. Um desperdício de água, além da sacanagem com a moça. Cadê o meu relógio?!A bolsa tá uma bagunça…oba!Um bombom, que o Pedro me deu. Acho estou com sorte hoje! Foi naquele domingo… Eu já tinha até esquecido. Do Pedro, claro.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Corredor



Não consegui,
perdi tudo.
Alegria, imaginação,
vontade, inspiração,
tesão.

Perdi-me em seus cabelos e
cheiros.

A folha branca me espera sedenta
de letras, de tinta.
De mim mesma, que perdi.

Perdi n´algum lugar,
que não seus cabelos
tampouco cheiro.

Fui passear no vácuo,
pedaços espalhados.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

ZeroQuatroUm

O conteúdo da caixa de correspondência no início de cada mês é sempre a mesmo e óbvia dupla: contas e propagandas. As vezes, no meio de algum aleatório mês, vem carta de amiga distante ou cartão postal daqueles que viajam nas férias e nos levam no peito, ou mais propagandas de estabelecimentos novos da região. Mais do mesmo: novos cafés, almoço em buffet por Kg, e coisas do tipo.
Hoje, fim do mês, veio a conta daquela outra operadora de telefonia, que usei no mês anterior. E que eu já nem lembrava. Quarenta e sete reais e trinta e dois centavos! Esse foi o preço que aqueles dois dígitos, os vulgares “xx” que você precisa discar antes do DDD seguido de número de telefone, me cobraram pela coragem que tive em resolver um terço da minha vida, ou melhor, a terça parte do pacotinho de pedras que carregamos sem lembrar quando foi que começamos com isso.
Naquela noite, em que fiz esse pequeno estrago nos minutos da conta telefônica, a leveza foi tamanha após o “Boa noite, tchau.”, que parecia aquele fôlego que a gente reforça em noite de ano novo ou antes de assoprar velinhas de aniversário pensando: “pronto um já foi, tô livre!” Que venha o que vier, seja o que vier, disse o mineiro, aquele. Era uma história passada que queria estar em voga: olha a contradição!
A prática do desapego é desafiadora, dá medo e depois te faz sorrir até para desconhecidos transeuntes nas calçadas de um centro urbano. Só sabe como é quem faz. É como quando você passa dias vendo que naquele canto “ali, ó,” aquela coisa (ou um objeto qualquer) “tá vendo?” “Tá sujo!”. Olha mais uns dias e pensa: “xi, já tá encardido!” Olha meses ou anos depois e pensa: “ai que preguiça!” E então conclui: “vou passar isso pra frente”. Mas olha bem e pensa: “mas sujo assim, é sacanagem com o próximo”. E então, começa a olhar e ameaçar: “a tua hora tá vindo” e chega um dia, que, você já cansado de olhar e saber que a hora já passou, e estar grisalho em saber que está sujo, que você pega a coisa e diz “vem aqui, agora eu vou limpar, até parecer que nem foi usado”. Esfrega, lixa, lava.
A duração, marcada em tempo real por 01:12:58H em uma noite fria e úmida, foi o tempo necessário para uma tarefa que aparentemente parecia tão chata ou penosa em fazer. Depois, você comemora sozinho,se orgulha da tarefa em silêncio e, com um banho quente, lembra que Belchior tem razão, naquela música velha roupa colorida.
Esse foi o tempo que eu precisei para liberar o excesso de peso, e lembremos que excesso é o desnecessário, daquela sacolinha miúda que cabe hoje no bolso de isqueiro da calça jeans.
Nunca paguei uma conta tão animada, mesmo sendo cara, fiz questão de pagar no caixa do banco, só pra sorrir pra mais uma pessoa desconhecida.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Cacos para um vitral...

Um parenteses no tempo...


Tomei um café e ganhei um presente...


Caí de moto e ganhei uma festa... (A salvação opera nos abismos)


Saí da aula e tomei uma bolada...


Aprender era quase um orgasmo, agora sei.

sábado, 22 de maio de 2010

O gelo bóia

Fazer da vida listas - como as de mercado ou viagem - exige criatividade e disciplina. Recortar manjericão. Copiar o CD pra ele. Não esquecer de pagar o condomínio. Telefonar para a Lu. Fazer a lista do mercado. Em meio a essa liquidez, o cubo de gelo bóia, solitário no copo.
São tempos dissonantes...Meus amores não vividos. As paixões cegas em tempo escasso: a não prioridade e o trânsito maldito. As amizades passadas. Roupas velhas e confortáveis. Comidas vencidas jogadas fora com pesar. Passado ressurgindo para limpar o canto da sala. Guarde o retrato com mais cuidado, não seja insensível!
Reviver a música com os olhos fechados ao chorar de alegria. Alívio comum. Acordar sorrindo. Leveza de Ser. Nuvens gordas. Sorrisos inéditos. Já reparou que nos momentos domésticos de limpeza, como lavar a louça ou tomar banho, é que podemos ter grandes insights em resposta a dúvidas mínimas? Aconteceu comigo outro dia e acabei por verbalizar mentalmente meus proto-sentimentos (embriões com fase interrompida) em relação a ele, e assim ficou estruturado:

“Caro filósofo,
A vontade é de continuar a conversa, não fosse a ordem de silêncio.
Em respeito às regras, me permito a escrita, conversa estática.
A liquidez perdeu sua mobilidade. Fluir nem sempre foi bom, principalmente quando desnecessário.
Na incerteza, permanece onde está para posteriormente olhar para os lados corajosamente. Abrir os olhos com vontade é diferente de quando lhe abrem - às pressas- a cortina do quarto de dormir”

Cômico, resolvi rir de mim mesma. Convido lhe a rir junto da capacidade humana em meio a um processo banal de lavar uma panela cheia de gordura do almoço de hoje. Amanhã vou almoçar fora com as meninas, aí a gente ri do outros.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Lista de absurdos (aberta à complementações)

- cantar o hino nacional toda semana na escola
e o teu futuro espelha essa grandeza...tão de brincadeira né?!);
- Dizer, depois de vinte anos de casada que prefere uma barra de chocolate ao marido;
- Seu 'parceiro' decidir que você não está feliz com ele...;
- Jogar sudoku durante a melhor aula de todos os tempos...;
- Responder 'sim, tudo bem', quando perguntam 'Tudo bem?' (a quem queremos enganar?!)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Coffea canephora

Acordei no susto. Como quem acha que tinha sido só uma piscada, dormi por 32 minutos. Eram 11:42 no relógio. Além desse susto, havia um ser deitado ao meu lado. Um corpo lisinho, definitivamente era ele um varão. Com textura aveludada, pelos claros e finos pelo corpo. Nu. Virado com as costas para mim, com sua bunda durinha, redonda. Perfeita. Parecia que dormia. Chamei pelo nome, em voz quase nula, mas resolvi deixá-lo ali por mais um instante, exposto em meu quarto. Como uma escultura grega.

Sexo. O melhor dos motivos para se dormir tranquilamente. Madrugada de trocas. Energias. Fluidos. Sensações compartilhadas e imaginações explicitadas. Gargalhadas cruéis. Manhã de orgasmos. Visuais, mentais, físicos. Tudo.

Foi com um olhar a distância, em um ambiente movimentado, mas agradável, que o álcool me facilitou. Sim, não sou hipócrita. Eu gosto da sensação do meu sorriso se abrindo antes de mim mesma. Então, o Universo veio, trouxe ele para meu campo de visão, e, ao mesmo tempo, percebida, fui devorada. Olhar intenso sobre mim. Sorri do outro lado, para cumprimentá-lo. Um quase-desconhecido, era charmoso, não era o álcool, o vi antes disso. Um amigo em comum. Ele me despiu em pensamento. Só de sentir o jeito com que me abraçava, forte e decidido, enquanto dançávamos, me fez sorrir em pensamento. Subiu um arrepio pela espinha, de baixo até a nuca. Disfarcei e sorri pra ele.

E cá estou, na cozinha, fazendo um café amargo, depois de uma alvorada agridoce. Nem o primeiro, nem o último. Sempre gostei dessas coisas assim, que acontecem de repente e que, mesmo assim, conseguem ser bem feitas. Ele começou por me olhar, e acabou por me fazer ficar fora do ar, em alto e bom som e depois, num sorriso-silêncio. Multiplicidade no formato. Sentia minha pele como

a mais cheirosa e saborosa do mundo. Havia fome, que fora saciada aos poucos, com devoção e silêncio. Uma rainha, uma deusa. Uma Mulher, simplesmente. Um cara, ali, ao meu dispor, inteiro e firme, por mim, para mim e comigo. Tudo ao mesmo tempo. Todos num só. Maravilhas de um instante. Abraçou-me. Beijo na testa e partiu.

Café amargo a chocolate, minha escolha foi feita esta tarde na qual escrevo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Papo de Banheiro

Sabe por que quero isso?
PORQUE NUNCA FUI AMADA
Como uma sentença, a afirmação não permitia sequer contestação. Nem mesmo o tradicional: ‘calma, você está sendo drástica, não é bem assim... ’
Ela dizia: quero um namorado, um companheiro pra me sentir amada, porque nunca tive isso. Sem titubear, ou mesmo embargar a voz, com uma consciência e lucidez incômodas.
Afirmações como essa, enfáticas, desconcertantes, nos fazem olhar para nossas próprias trajetórias com uma pergunta igualmente incômoda: e nós, será que fomos amados?
Ela se perguntava ainda se uma infância preenchida com rejeições, bulling, falta de cuidados permitiria que essa órfã afetiva conseguisse construir uma família ‘Doriana’, uma vez que nunca teve uma?
Qualquer resposta, pronta ou inventada, talvez não passasse de uma tentativa de auto justificativa.
'Sim, veja onde chegamos... fizemos o melhor que pudemos...'
Quase pra nos convencer de que é isso mesmo. Quase como um pedido de socorro...
Quase como um pedido pra não pensar mais nisso...
‘No piense más, no piense más...’ (Filme: O segredo dos seus olhos)
Com o mundo cada vez mais desencantado... preenchendo vazio com mais vazio.
São demais os perigos desta vida... (Vinícius)
Viver é muito perigoso... (Guimarães Rosa)

Tudo pode acontecer em um conselho de classe

Como diz o Chico ‘tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu...’ quando o dia começa assim já deveríamos estar preparados. Nunca estamos. Fora a melancolia, velha amiga que nos visita esporadicamente, nos dias de hoje é proibido sofrer, ta fora de moda, então seguimos fazendo coisas, correndo sabe Deus pra onde.
Esse papo sobre melancolia e dias que começam estranhos é pra narrar uma história que não fosse triste seria cômica, ou melhor, é um pouco cômica porque um tanto triste.
O fato que segue ocorreu numa escola, uma escola qualquer, típica. Aliás, a idéia de fatos típicos, comportamentos típicos é importante pra essa história. As aulas foram suspensas pra que se realizasse o famigerado Conselho de Classe. Ritual no qual professores frustrados, mal pagos e sem vida social (e sexual) expurgam suas dores, culpas e mediocridades. Uma espécie de catarse coletiva. Enfim, um mal necessário, não se sabe exatamente pra quem, mas necessário.
Tudo dentro do padrão. Seria mais um Conselho típico não fosse o fato desta que vos relata resolver navegar enquanto esperava o início da ‘terapia de grupo’. Mesmo o mundo virtual e suas inúmeras possibilidades não nos livram da monotonia, boa parte das notícias e novidades do momento tem qualquer coisa de requentadas. Isto posto recorremos aos meios virtuais para ‘rever’ os amigos. É aqui que entra uma das maldições da modernidade: as redes de relacionamento.
Já adianto: começa a se consolidar em mim certo ódio por essas redes. Sabe aquele namoro firme, cheio de recadinhos carinhosos e melados? De repente descobre-se que se está namorando sozinha, já tem uma baranga qualquer deixando os mesmos recadinhos... e o que torna tudo odioso é que todo mundo já está sabendo, menos você, é claro.
Não bastando a primeira lição sobre redes de relacionamento a gente insiste, acha que agora aprendeu e que não cai mais nessa... Ingênuos todos!!!
Tratando-se de redes abertas podemos ver e ser vistos por todos. No dia em questão fui ‘visitada’ por alguém sob o pseudônimo ‘guiiii’, fato insignificante até perceber que a pessoa com quem achava que tinha um relacionamento estar se correspondendo com a tal ‘guiiii’.
Qual não é minha surpresa, pra não dizer choque, ao ver os recados deixados ao jovem mancebo em questão: ‘oi amor’!!! Oi amor? Amor? Como assim? Nunca nos chamamos de ‘amor’...
e como já cantou Maysa ‘meu mundo caiu’...
Ligo enlouquecidamente para o objeto de amor da ‘guiiii’, a essa altura já tinha certeza que se tratava de uma mulher (rsrs). Lógico, sem ser atendida. Lanço mão de outro recurso tecnológico as tais mensagens sms, direta, reta e enfurecida: ‘duas perguntas: por que não me atende e quem é guiii’.
Sem resposta, naturalmente.
Detalhe: o conselho de classe rolando solto!!! O aluno tal? Ahn? Quem? Notas? Ah...Quero justificar de antemão meu apreço pela educação, em condições normais de temperatura e pressão estaria acompanhando atentamente o desabafo de cada um de meus colegas de magistério.
Eis que algum tempo depois o jovem, aquele que não atendeu as ligações tampouco respondeu à mensagem, acessa outra rede de relacionamentos (outra daquelas que começo a nutrir senão ódio no mínimo antipatia).
Oi (ele)
Oi
(silencio)
Tudo bem (eu)
Mais ou menos...
(silêncio... e quase nenhuma dúvida do que estava por vir)
O que está mais ou menos?
Tudo.
(ninguém merece, o mundo caindo e a pessoa dando respostas genéricas ou evasivas)
Queria te pedir desculpas.
(já recebi uma carta assim... ‘nunca vou me desculpar pelo que estou fazendo...’, ou seja, se restava alguma dúvida estava totalmente sanada)
Pelo que? (só pra confirmar!!!)
Queria terminar.
(ódio, fúria, tristeza e mais raiva: Por que esse FDP não falou?)
E o conselho de classe rolando
Os diálogos que se seguiram alternaram-se entre cobranças, parcas explicações e uma dúvida: o que está havendo com os homens? Onde foram parar os corajosos, decididos, bem resolvidos e honestos?
Clamo aqui pelos honestos não evocando arremedos de fidelidade, todos temos direito de mudar de opinião, de gostos, mas me refiro aos honestos com culhões, como diz um novo amigo. Aqueles com hombridade de dizer PESSOALMENTE o que querem e principalmente o que não querem.
Enfim, um dia melancólico, um Conselho de Classe típico e mais um fim virtual para a coleção.
E a pergunta, é claro: oi tem alguém aí?
Se tiver, por favor, não deixe um ‘scrap’, não mande email muito menos sms...
A delicadeza agradece.

Alguém cansado... (não só das tecnologias que afastam mais que aproximam)

Filandras

Assim como no livro de Adélia Prado no qual nos inspiramos para nomear este blog as histórias contadas aqui, assim como as de lá, não são estanques, isoladas. Podem, evidentemente ser lidas separadamente, afinal as pessoas que as inspiraram são únicas, irrepetíveis.
No entando, ao unirmos os fios, os detalhes que ligam umas às outras, perceberemos mais que um quebra cabeças de desabafos. Perceberemos a teia que nos liga a cada pergunta que fazemos...será que é isso mesmo que é viver? será que poderia ter sido diferente? será que ainda pode ser diferente?
Mais que uma espaço necessário para nossos desabafos cotidianos, este é um espaço para os que 'pressentiram que a manhã começou' (Adélia Prado, Poesia Reunida, 1991)
Bem Vind@s!!!