segunda-feira, 17 de maio de 2010

Papo de Banheiro

Sabe por que quero isso?
PORQUE NUNCA FUI AMADA
Como uma sentença, a afirmação não permitia sequer contestação. Nem mesmo o tradicional: ‘calma, você está sendo drástica, não é bem assim... ’
Ela dizia: quero um namorado, um companheiro pra me sentir amada, porque nunca tive isso. Sem titubear, ou mesmo embargar a voz, com uma consciência e lucidez incômodas.
Afirmações como essa, enfáticas, desconcertantes, nos fazem olhar para nossas próprias trajetórias com uma pergunta igualmente incômoda: e nós, será que fomos amados?
Ela se perguntava ainda se uma infância preenchida com rejeições, bulling, falta de cuidados permitiria que essa órfã afetiva conseguisse construir uma família ‘Doriana’, uma vez que nunca teve uma?
Qualquer resposta, pronta ou inventada, talvez não passasse de uma tentativa de auto justificativa.
'Sim, veja onde chegamos... fizemos o melhor que pudemos...'
Quase pra nos convencer de que é isso mesmo. Quase como um pedido de socorro...
Quase como um pedido pra não pensar mais nisso...
‘No piense más, no piense más...’ (Filme: O segredo dos seus olhos)
Com o mundo cada vez mais desencantado... preenchendo vazio com mais vazio.
São demais os perigos desta vida... (Vinícius)
Viver é muito perigoso... (Guimarães Rosa)

Um comentário:

  1. Taí,
    Gostei desse!
    Proponho a reflexão: buscar em o amor, e depois compartilhar, para que, com o jardim florido, venham as borboletas...a la Quintana.

    ResponderExcluir