Acordei no susto. Como quem acha que tinha sido só uma piscada, dormi por 32 minutos. Eram 11:42 no relógio. Além desse susto, havia um ser deitado ao meu lado. Um corpo lisinho, definitivamente era ele um varão. Com textura aveludada, pelos claros e finos pelo corpo. Nu. Virado com as costas para mim, com sua bunda durinha, redonda. Perfeita. Parecia que dormia. Chamei pelo nome, em voz quase nula, mas resolvi deixá-lo ali por mais um instante, exposto em meu quarto. Como uma escultura grega.
Sexo. O melhor dos motivos para se dormir tranquilamente. Madrugada de trocas. Energias. Fluidos. Sensações compartilhadas e imaginações explicitadas. Gargalhadas cruéis. Manhã de orgasmos. Visuais, mentais, físicos. Tudo.
Foi com um olhar a distância, em um ambiente movimentado, mas agradável, que o álcool me facilitou. Sim, não sou hipócrita. Eu gosto da sensação do meu sorriso se abrindo antes de mim mesma. Então, o Universo veio, trouxe ele para meu campo de visão, e, ao mesmo tempo, percebida, fui devorada. Olhar intenso sobre mim. Sorri do outro lado, para cumprimentá-lo. Um quase-desconhecido, era charmoso, não era o álcool, o vi antes disso. Um amigo em comum. Ele me despiu em pensamento. Só de sentir o jeito com que me abraçava, forte e decidido, enquanto dançávamos, me fez sorrir em pensamento. Subiu um arrepio pela espinha, de baixo até a nuca. Disfarcei e sorri pra ele.
E cá estou, na cozinha, fazendo um café amargo, depois de uma alvorada agridoce. Nem o primeiro, nem o último. Sempre gostei dessas coisas assim, que acontecem de repente e que, mesmo assim, conseguem ser bem feitas. Ele começou por me olhar, e acabou por me fazer ficar fora do ar, em alto e bom som e depois, num sorriso-silêncio. Multiplicidade no formato. Sentia minha pele como
a mais cheirosa e saborosa do mundo. Havia fome, que fora saciada aos poucos, com devoção e silêncio. Uma rainha, uma deusa. Uma Mulher, simplesmente. Um cara, ali, ao meu dispor, inteiro e firme, por mim, para mim e comigo. Tudo ao mesmo tempo. Todos num só. Maravilhas de um instante. Abraçou-me. Beijo na testa e partiu.
Café amargo a chocolate, minha escolha foi feita esta tarde na qual escrevo.
Liquidez dos dias chuvosos!
ResponderExcluirÉ a vida... também.