domingo, 11 de julho de 2010

Apague a luz quando chegar

Em dias de lucidez quase absoluta, como hoje em que lhe escrevo, consigo sorrir quando encontro suas sementes pela casa. Se fosse há dias atrás, teria queimado amassado, engolido todas elas, chorando com a força e intensidade que só a raiva proporciona.
Em dias de lucidez, como hoje em que lhe escrevo, abro a caixa com as memórias coletivas e revivo cada cor das fotografias.
Em dias de lucidez, como hoje em que lhe escrevo, penso que é bom viver, sabendo que é perigoso sim, mas que vale a pena. Sempre e tudo.
Em dias de lucidez, como hoje em que lhe escrevo, posso acreditar que os momentos e pessoas têm validade (mesmo que indeterminadas) e justamente por isso são agradáveis.
Em dias de lucidez, como hoje em que lhe escrevo, sinto a natureza mais próxima, o vento cúmplice e o sol confortante.
Em dias de lucidez, como hoje em que lhe escrevo, silenciar a mente é a tarefa mais fácil do mundo.
Em dias de lucidez, como hoje em que lhe escrevo, gosto de pensar na minha vingança: perdoar-te.
A maior vingança é o perdão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário