Foi em uma quinta feira chuvosa que ele se despediu de mim como uma mala que se perde em conexões internacionais. Algo corriqueiro, mas a gente nunca espera que isso aconteça conosco.
Ninguém nunca está preparado para levar um fora de uma maneira tão bonita, tão perfeita. Você então me pergunta: “um fora bonito? Perfeito? E logo conclui: não existe!”
Estava em uma felicidade que não cabia em mim, fui aprovada para a melhor companhia de dança da cidade e estava louca para contar para ele. Combinamos uns minutos de sobremesa, era o jeito que dava em meio a rotinas de horários tão justos. Nossas sobremesas eram sempre doces, mas os dias em que comíamos as ácidas, seguidas de chocolate bem doce, me eram favoritos.
Aquela quinta que me referia não teve minutos. Foram frações mínimas do tempo, mas chamo de segundos, para que lhes façam algum sentido. Ele me abraçou. Um abraço quente, mais confortável do que nunca e eu me aninhei, como um filhote de animal qualquer com frio, em seus braços.
Eu não pude acreditar de pronto no que me dizia, mesmo tudo aquilo fazendo sentido. É como quando a realidade fica suspensa. Derrete e as pessoas ficam aromáticas. Hesitei, mas não tinha escolha, o embarque, era imediato. Parti. Olhei pra trás, tropecei logo em frente. Mas embarquei.
Sem malas, cá estou a viver de estórias.
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