terça-feira, 2 de novembro de 2010

Outubro Azul



Depois de meses viajando, na ausência do que dizer, palavras saem da mala constantemente e misturadas entre si, confusas.
Chegar em casa é uma sensação tão prazerosa quanto achar comida na geladeira em dias de histeria.
Foram mais meses do que o previsto. Longe. Embora eu sempre tivesse a certeza de que voltaria, confesso o desespero em alguns momentos. A fluidez do anonimato as vezes castigou-me por não dominar a língua nativa. Pior que isso, é a universalidade das informações subliminares: como traduzi-las? Sofri. Cansei. Gritei. Sorri. Dancei. Comi. Experimentei.
Voltei. O frio na barriga no velho - e mutante - caminho para casa traz fios de memórias emaranhadas em felicidade pela nostalgia. E conforto pelo passado vivido. E agora, guardado.

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