Vasculhando prateleiras em busca de algumas pérolas literárias fui instigada pelo título de um livro. ‘Tudo é só isso’. E a pontuação era essa mesma, uma afirmação. Tudo, todos os anseios, todas as expectativas e mesmo os medos são só isso. Coisa pouca. No entanto brincando com os sinais não mudamos apenas aspectos semânticos, fui instigada a atribuir outro sentido ao texto, mas não apenas a ele, ao todo físico e metafísico de que somos feitos.
Essa conversa sobre semântica e metafísica é, na verdade, apenas preâmbulo para algumas reflexões acerca do ‘pra que mesmo que isso serve?’, ou sua variação ‘o que é que to fazendo aqui’.
Ninguém questiona que é próprio de nossa economia psíquica tentarmos dar as coisas o tamanho que elas tem. Como também não se questiona o fato de que invariavelmente, e algumas vezes na vida, tomamos um camundongo por um elefante. Nessas horas repetimos como um mantra: tudo é só isso. Como que para nos redimir de exagerar na dor ou na culpa.
Mas há outras horas graves, em que o elefante que julgávamos conhecer tão bem se mostra na verdade um reles camundongo. E desgraçadamente isso também pode nos acontecer muitas vezes na vida.
Há quantas causas nos dedicamos visceralmente para ao final nos darmos conta de que não era nada daquilo, que o esforço foi em vão, ou pior, estávamos ou estamos sozinhos naquela trincheira. Isso vale pra quase tudo eu acho. No trabalho, na família, nas relações...
Nas relações então... quantos enganos!!!
Maria Rita Kehl em um de seus artigos chama atenção de forma bem humorada para nossos enganos consentidos: ‘quem nunca teve o azar de ser amado pelas razões erradas?’. Eu completaria: quem nunca teve o azar de amar pelas razões erradas?
Não amamos o outro. Amamos o que o outro provoca, suscita, estimula em nós.
E aí, um belo dia nos damos conta: tudo é só isso? E culpamos o outro por não nos entender, não nos amar, não ser mais que achávamos que era.
Eis a tragédia!!!
Talvez fosse mais honesto dizermos: eu amo a pessoa que sou quando estou com você!
Contudo, onde quero chegar é no fato de que mesmo quando nos damos conta dos enganos que cometemos e que cometem com a gente ou contra a gente temos uma dificuldade imensa em dizer CHEGA! Até nos apercebemos da mediocridade a que nos reduzimos, mas daí a romper com isso há uma grande distancia.
Racionalizamos, somos condescendentes, justificamos e sempre vamos postergando a hora de viver de verdade. Contentamos-nos com um ‘tudo é só isso.’
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Tudo é só isso.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário