Encontrei com ela. Conversamos. Foi um encontro que estava marcado para o futuro e chegara antes. Detesto surpresas. Ainda mais dela, que sempre vem com alguma bomba disfarçada de chocolate. E conversamos. E choramos. E eu falei tudo, ou quase. E ela me ouviu. E falou muito, tanto que se perdeu no que dizia, ao parar para ver o urubu que circulava no céu claro. E continuou com seus sentimentos. Contraditórios, como sempre. E eu queria apenas ser feliz comigo mesma. No meu canto, que é só meu: o eu mesma em silêncio.
Mergulhamos. Densidade distraída, o fundo do mar é bem escuro. Dá vontade de ir mais e mais. A luz aparece às vezes, de relance, como quem espia um envelope grande. Ele assusta - tamanha beleza, tamanho mistério. Não é como andar descalço na grama e ser picado por infinitas formigas, é apenas ouvir a própria respiração e ter de confiar nela, em si mesma, senão, morre. Fui atrás da Nina, e voltamos à superfície. Eu sabia que eu tinha muito mais fôlego que ela. Não sei bem porque voltei, eu ficaria muito mais lá embaixo, me ouvindo bater o coração, com vida, com força. Apenas uma suportável dor nos ouvidos. Mas Nina estava cansada. Eu a acompanhei.
Deitamos ao sol. Disse que subiu porque achou que eu não aguentaria. Ela não me conhece. E sempre se intromete. No fundo, é uma egoísta, fazendo o bem para os outros, para ficar em paz consigo mesma.
o melhor de todos!!!
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