Você veio me visitar. Até eu descobrir que ela também morava na minha cidade. Depois de meses de silêncio eu resolvi encarar o que eu não sabia que veria, o que eu sentiria, depois de tempos vazios quase imóveis quando duros e depois, vestido de passado distante, reencontrar você foi tão natural quanto no início. Abraço e todo aquele papo de reencontro, superficial e simpático, cordialidades. Então quando chegamos em casa, você observou as mudanças: paredes, fotografias, meu cabelo. Tomou o último gole na taça e finalmente disse o propósito daquilo tudo: um pedido de casamento. Pra ela.
Eu estava de costas, finalizando a sopa. Ele não pôde ver meu sorriso. Ao mesmo tempo em que eu cortava a cebola, um filme sobre a minha vida, tipo aquela coisa de experiência de quase morte, passou num instante, com o trecho: começo, meio e fim de nós dois. Respirei tão aliviada que não me reconheci.
A alegria me tomou conta, ele finalmente tinha decido algo, não era eu, mas era uma decisão. Acho que o meu amor foi tanto, que a paz me tomou pelos braços. E ele foi. Ao encontro dela. E eu fiquei para o encontro da vida.
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