quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ruído

 Hoje ele foi embora. Não sei se finalmente ou se já era hora, foi em silencio enquanto eu sonhava. Acordei pouco depois, a minha chave ainda balançava na fechadura. Eu tive certeza. Sem bilhetes. Sem louça suja ou roupa íntima no varal. Não teve discussão na noite anterior, nem vinho. Teve festa dias antes e dançamos como jovens, até o amanhecer, no meio de muita gente diferente de nós. Estranhos cansados, só isso. É certo que havia mais vontade do que sinceridade, mesmo assim sinto algo. Não é pesar nem vazio, é silencio. Daqueles semelhantes aos da meditação: longos que se soltam do tempo, solitários mesmo em dupla. Silencio bom, por sê-lo, simplesmente.

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