quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Eu odeio o natal

Eu odeio natal.
Não, não tive uma infância traumática sem presentes ou presépio em casa.
Tampouco sou uma pessoa adulta sem companhia para a grande ceia.
Mas repito: EU ODEIO O NATAL!
Aliás, qualquer pessoa com o mínimo de lucidez percebe a insanidade do que se aproxima: compras frenéticas e orgias gastronômicas.
Pretendo evitar resolutamente dois lugares durante a próxima quarentena, supermercados e shopping centers.
A impressão que tenho nos dois casos é que estamos diante do Armageddon e precisamos estocar comida e coisas inúteis. Apenas os que garantirem suas reservas serão poupados da voracidade da besta.
O fato que segue, embora relativamente distante no tempo, nos dá uma idéia da perversidade da data.
A mãe de uma amiga, uma senhora com filhos e netos criados e consciente de seu papel no matriarcado da família, incumbiu-se da famosa ceia de natal. Embora todos, motivados pelo suposto espírito natalino tivessem se mostrado dispostos a ajudar acabou que a pobre enfrentou sozinha o desafio de alimentar uma família enorme.
Sem nenhum exagero a mulher passou 12, vejam bem, doze horas cozinhando. Já exausta viu-se ainda diante do peru esperando pra ser assado. Como este não coubesse no forno e apavorada com o eminente fracasso do natal esta, que até então sempre fora pacífica e comedida como as mulheres aprendem a ser, se encheu de fúria, a fúria de todas as mulheres que vieram antes dela e possivelmente das que virão depois. Tomou o primeiro objeto que encontrou e destruiu o tal fogão com tantos golpes que nem puderam ser contados.
Agora me digam: que espécie de alucinação coletiva toma conta de nós no natal?
O que nos faz enfrentarmos congestionamentos nas ruas, nas lojas, nos caixas e ao final estarmos todos exaustos, com indigestão e não raro endividados?
E tem mais: pessoas que passaram o ano se odiando se abraçam, trocam presentes e votos e um novo e bom ano!
Se eu fosse o menino Jesus correria do natal por umas três semanas consecutivas sem olhar pra trás...

Um comentário:

  1. Deslocamentos da noção, eu sugiro, brevemente.
    Completamente sem referencial de sanidade, as pessoas esperneiam através da pressa e das orgias (de comida e consumo, muito bem apontados acima)e tudo passa em uma semana.

    Uma semana! Em meio a quantas em 12 meses? Por ano, temos em média 48. Quarenta e sete versus uma."Unica e especial", uma.Uma semana a cada ano, que é sempre igual, e todo mundo se maquia com a esperança do novo, do diferente através de UMA semana.

    Desconfio. Sempre.De novo.


    ...é um tema delicioso para se botar pra fora...

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