Eu odeio natal.
Não, não tive uma infância traumática sem presentes ou presépio em casa.
Tampouco sou uma pessoa adulta sem companhia para a grande ceia.
Mas repito: EU ODEIO O NATAL!
Aliás, qualquer pessoa com o mínimo de lucidez percebe a insanidade do que se aproxima: compras frenéticas e orgias gastronômicas.
Pretendo evitar resolutamente dois lugares durante a próxima quarentena, supermercados e shopping centers.
A impressão que tenho nos dois casos é que estamos diante do Armageddon e precisamos estocar comida e coisas inúteis. Apenas os que garantirem suas reservas serão poupados da voracidade da besta.
O fato que segue, embora relativamente distante no tempo, nos dá uma idéia da perversidade da data.
A mãe de uma amiga, uma senhora com filhos e netos criados e consciente de seu papel no matriarcado da família, incumbiu-se da famosa ceia de natal. Embora todos, motivados pelo suposto espírito natalino tivessem se mostrado dispostos a ajudar acabou que a pobre enfrentou sozinha o desafio de alimentar uma família enorme.
Sem nenhum exagero a mulher passou 12, vejam bem, doze horas cozinhando. Já exausta viu-se ainda diante do peru esperando pra ser assado. Como este não coubesse no forno e apavorada com o eminente fracasso do natal esta, que até então sempre fora pacífica e comedida como as mulheres aprendem a ser, se encheu de fúria, a fúria de todas as mulheres que vieram antes dela e possivelmente das que virão depois. Tomou o primeiro objeto que encontrou e destruiu o tal fogão com tantos golpes que nem puderam ser contados.
Agora me digam: que espécie de alucinação coletiva toma conta de nós no natal?
O que nos faz enfrentarmos congestionamentos nas ruas, nas lojas, nos caixas e ao final estarmos todos exaustos, com indigestão e não raro endividados?
E tem mais: pessoas que passaram o ano se odiando se abraçam, trocam presentes e votos e um novo e bom ano!
Se eu fosse o menino Jesus correria do natal por umas três semanas consecutivas sem olhar pra trás...
Deslocamentos da noção, eu sugiro, brevemente.
ResponderExcluirCompletamente sem referencial de sanidade, as pessoas esperneiam através da pressa e das orgias (de comida e consumo, muito bem apontados acima)e tudo passa em uma semana.
Uma semana! Em meio a quantas em 12 meses? Por ano, temos em média 48. Quarenta e sete versus uma."Unica e especial", uma.Uma semana a cada ano, que é sempre igual, e todo mundo se maquia com a esperança do novo, do diferente através de UMA semana.
Desconfio. Sempre.De novo.
...é um tema delicioso para se botar pra fora...